No início desta semana eu publiquei um vídeo para o Dia das Mulheres nas minhas redes sociais, chamando a atenção para um problema na nossa sociedade que está alcançando níveis chocantes: o feminicídio.
Como resposta a esse post, algumas mulheres se sentiram seguras para compartilhar seus relatos comigo pelo direct: histórias de abusos sexuais que ocorreram desde a infância, de violência doméstica ou perda de alguma familiar ou amiga, como consequência da violência… Ler esses relatos me deixou com o coração apertado. Quando acompanhamos notícias deste tipo em jornais, estes casos parecem distantes, mas não são - estamos diariamente expostas ao perigo.
De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e feito pelo Instituto Datafolha, 37,5% das mulheres brasileiras sofreram algum tipo de violência nos últimos 12 meses. Isso corresponde a 21,4 milhões de mulheres, de mães, filhas, amigas, vizinhas ou familiares de alguém. Como um efeito dominó, os discursos que normalizam e banalizam a violência de gênero estão ganhando espaço no meio digital: seja em fóruns e comunidades online, jogos ou redes sociais, esse tipo de conteúdo está disponível para o acesso de todos, inclusive de meninos jovens em processo de formação. Hoje, alguns homens usam sua visibilidade para incentivar ataques virtuais contra mulheres e produzem um conteúdo mentiroso e tendencioso que nos coloca em uma posição de inferioridade, além de induzir respostas agressivas caso sejam rejeitados por uma mulher. Um caso recente ilustra isso bem: em uma trend recente do Tik Tok, homens se gravavam simulando uma proposta de namoro ou casamento a uma mulher imaginária, seguido de uma resposta violenta ao receberem um suposto “não”. Mais do que nunca, é necessário que, além de uma educação que seja guiada por princípios de respeito e igualdade, a gente esteja mais presente e atento ao que nossos filhos consomem nos ambientes virtuais.
Aqui em Saquarema, a Secretaria da Mulher tem oferecido um serviço de excelência às nossas moradoras, acolhendo e auxiliando àquelas que mais precisam. A secretaria disponibiliza assistência social, psicológica, e jurídica para as cidadãs que procuram a ajuda da equipe, além de oferecer um aluguel social, quando necessário, para possibilitar que mulheres saiam de situações de risco. A sede também oferece espaços para que as assistidas possam formar redes de apoio, um fator essencial para a recuperação da autoestima e reconstrução da vida após um episódio traumático. Eu acredito que a sororidade nasce da empatia, em se reconhecer no lugar de outra mulher, seja nas dificuldades ou quando uma mulher conquista algo novo. Porque quando uma mulher alcança uma posição de destaque, ela inspira e abre caminhos para que mais mulheres também possam alcançar e prosperar.
Por Manoela Peres