Esses dias, o episódio emocionante do encontro da ex-atleta olímpica Laís Souza com a cientista Tatiana Coelho de Sampaio, pesquisadora da UFRJ, me deixou muito pensativa a respeito de quem escolhemos como nossos modelos e como inspiração. De um lado, a força de quem reaprende a viver todos os dias. Do outro, a persistência de quem está há décadas se dedicando à ciência e acreditando que pode devolver movimentos, autonomia e trazer esperança para tantas pessoas que aguardam uma possibilidade. Para mim, essas são as verdadeiras inspirações femininas, influenciadoras.
Mulheres inspiradoras não são apenas aquelas que aparecem nas capas ou acumulam seguidores. São as que estudam, insistem, enfrentam obstáculos silenciosos e continuam. Mesmo em um cenário ainda repleto de desafios e obstáculos para a produção científica feita por mulheres, como no caso do nosso país, o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência (11 de fevereiro) vem para nos lembrar que apesar das desigualdades, elas continuam firmes, abrindo caminhos onde antes só havia dúvida.
Durante minha trajetória, sempre acreditei que política pública também pode (e deve) estimular a autonomia, emancipação e empoderamento entre mulheres. Quando investimos em educação, tecnologia e capacitação, estamos oferecendo à cada menina a possibilidade de ocupar o laboratório, a universidade, a gestão, o espaço que ela quiser. Aqui em Saquarema, projetos como o COUNI e o EPES, proporcionam às nossas cidadãs, que correspondem a 50 e 60% do público beneficiado, a retomada de sonhos e possibilidade de melhorar de vida ao voltar para às salas de aula. A representatividade não está apenas no discurso, mas na oportunidade concreta.
No fim das contas, a verdadeira influência é aquela que transforma vidas de verdade. Que salva, que ensina, que constrói futuro. Que a gente saiba reconhecer, valorizar e multiplicar esses exemplos. Porque quando uma mulher avança, ela puxa outras junto. E é assim, com mais mulherões que inspiram, que a gente constrói uma sociedade mais justa, mais humana e cheia de possibilidades.
Por Manoela Peres