Há pouco tempo, o nosso país se chocou com mais uma notícia lamentável de violência contra a mulher: a vítima foi agredida pelo namorado com 60 socos no rosto dentro de um elevador com câmera de segurança. Um caso que, por pouco, não teve um desfecho ainda mais trágico. Eu nem consegui assistir o vídeo até o final, de tão revoltante que foi aquela cena. Infelizmente, não se trata de um episódio isolado: ele reflete um país onde em média dez mulheres são assassinadas por dia, de acordo com o último Atlas da Violência publicado.
Enquanto o índice de homicídios gerais no Brasil apresentou uma tendência de diminuição desde 2018, o de feminicídio aumentou em 2,5% entre 2022 e 2023; O SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) pontuou um aumento da violência não letal em 2023, com mais de 177 mil casos de violência doméstica reportados. Já o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) demonstrou que um terço das brasileiras sofreu algum tipo de violência nos últimos 12 meses, seja física, verbal, abuso sexual, ameaças ou perseguição. A grande maioria dos agressores são cônjuges, companheiros ou namorados (40%), seguidos por ex-maridos ou ex-namorados (20%).
Mas enquanto isso, entre os 92 municípios do estado do Rio de Janeiro, só dez contam com uma Secretaria da Mulher para acolher, apoiar e dar suporte às mulheres que precisam. Apesar desses dados serem assustadores, a gente precisa lembrar que não se tratam só de números, mas de pessoas, de mulheres com histórias, com família: elas são a mãe ou a filha de alguém; a vizinha, colega de trabalho ou amiga.
Ao mesmo tempo que me causa uma certa indignação saber que tantas mulheres não podem contar com essa assistência nas cidades onde vivem, me dá orgulho saber que Saquarema é um dos municípios onde o direito das moradoras à segurança, à integridade e a inclusão é representado pela Secretaria da Mulher. Durante a minha gestão como prefeita, foram implementadas aqui muitas ações, programas e iniciativas para que essa secretaria ganhasse força. E hoje, esse legado está sendo levado adiante com o empenho de uma equipe de mulheres guerreiras e inspiradoras, duas delas em especial: a nossa prefeita Lucimar Vidal e Márcia Azeredo, à frente da Secretaria da Mulher.
Durante este mês, Saquarema está aderindo à campanha de Agosto Lilás, promovendo ações para combater e conscientizar nossa população a respeito da violência contra as mulheres. Uma das iniciativas que fazem parte da programação é a Marcha pelo Fim da Violência, que foi realizada no último dia 5 e que tive o prazer de participar ao lado da Prefeita Lucimar, da secretária Márcia, das nossas servidoras e das moradoras que acreditam em uma cidade mais justa, igualitária e segura para todas nós.
É importante falar que durante o ano, o nosso município realiza diversas campanhas para promover esta causa, como a do “Não é Não”, realizada durante o período de Carnaval contra o assédio sexual; a do Sinal Vermelho, que oferece auxílio a vítimas de agressão; as campanhas de combate à violência doméstica, realizadas durante o mês de novembro, com ações nas escolas, unidades de saúde e redes sociais; a de Outubro Rosa, que tem foco na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer de mama, com palestras, atendimentos, rodas de conversa e ações de autocuidado e autoestima; as nossas campanhas em prol da inclusão e diversidade e o nosso projeto Maria da Penha Vai à Escola, uma ação socioeducativa realizada nas nossas unidades escolares para levar informação aos alunos de como identificar e denunciar casos próximos de violência doméstica.
As mulheres saquaremenses também podem contar com uma unidade de saúde dedicada especialmente aos nossos cuidados, além dos projetos e programas que a Secretaria da Mulher oferece para reforçar a segurança, construir redes de apoio, oferecer auxílios e orientar meios para se inserir no mercado de trabalho. Tudo isso com o propósito de promover o empoderamento feminino em Saquarema. Em uma outra conversa, vou apresentar mais a fundo cada um dos programas que a secretaria oferece para o benefício das nossas cidadãs. Cada um deles existe para que nossas moradoras saibam que estão sendo cuidadas, que existe uma equipe pronta para as amparar quando precisarem. Mas o cuidado principal que precisamos reforçar é aquele que temos umas com as outras: a solidariedade entre mulheres. Apenas nós nos entendemos completamente e somos capazes de entender pelo que passamos. Por isso, é fundamental a nossa empatia umas com as outras. Essa é uma das formas principais de combater e enfraquecer a mentalidade por trás desses episódios brutais que acompanhamos nas notícias.