O turismo eficiente, pra mim, é aquele que gera oportunidades, movimenta a economia e, ao mesmo tempo, preserva o bem-estar de quem vive na cidade. Durante o verão, esse desafio fica ainda mais evidente. A cidade enche, a rotina muda e, quando não existe organização, os impactos aparecem rápido: serviços sobrecarregados, excesso de barulho, lixo nas ruas e nas praias, desgaste ambiental e desconforto para as famílias locais. Isso é o que chamamos de turismo predatório, quando a cidade paga um preço alto demais por não estabelecer limites claros.
O turismo é, sim, uma grande vocação para as economias locais, capaz de gerar emprego e renda, mas ele precisa acontecer com cuidado e respeito. Existe uma linha muito delicada entre receber bem e perder a qualidade de vida. Em Saquarema, escolhemos lidar com esse desafio com planejamento, diálogo e regras bem definidas. Entendemos que cuidar do turismo é também cuidar das pessoas e do território. Por aqui, investimos em qualificação, organização e em políticas públicas que garantam que o crescimento aconteça de forma saudável, sem abrir mão da convivência e do respeito.
Um dos maiores símbolos dessa conquista são as nossas três praias certificadas com a Bandeira Azul. Esse selo internacional tão importante para o nosso município representa nosso compromisso com a comunidade, a preservação ambiental e uso responsável dos espaços públicos. Para mantê-lo, adotamos normas importantes, como a proibição de caixas de som, o veto ao uso de garrafas de vidro, a restrição de animais na areia e uma postura firme contra o descarte irregular de lixo.
Sempre entendi que fiscalizar não é punir, mas educar. É lembrar que quem visita precisa cuidar da cidade com o mesmo carinho que cuidaria da própria casa. O turismo só faz sentido quando é bom para todos: para quem chega, para quem trabalha e, principalmente, para quem vive aqui todos os dias. Quando há respeito, o turismo deixa de ser um problema e passa a ser um encontro.
Por Manoela Peres