Direito dos Animais  |  09 de Fevereiro de 2026

Por uma história que não pode ser apagada!

Oi, gente!

Acredito que assim como eu, você que está lendo este texto também se chocou com o caso da morte do cachorro Orelha em Florianópolis (SC). Ele era um cachorro comunitário, cuidado por toda a vizinhança local, e sua vida chegou ao fim de uma maneira muito triste e muito cruel. Cada desdobramento dessa história, que repercutiu massivamente nos noticiários e redes sociais, só deixou evidente a necessidade de se desenvolver projetos e leis que olhem pelos direitos dos animais e, sobretudo, que responsabilizem criminosos por meio de medidas como a redução da maioridade penal, por exemplo.

Podemos fazer a nossa parte para que histórias como a do Orelha não se repitam e não sejam apagadas

Segundo a última pesquisa realizada pela Ipsos-Ipec, 65% da população brasileira se posiciona favoravelmente à redução da maioridade penal, e isso não acontece por acaso. Existe uma sensação coletiva de que a legislação atual já não dá conta de responder à gravidade de certos atos. A violência cometida contra o Orelha não pode ser tratada como um caso isolado ou naturalizada com base na idade de quem a cometeu. Quando jovens são capazes de agir com tanta crueldade, é preciso encarar que se não houver responsabilização adequada, esse tipo de comportamento pode ser apenas o começo. Hoje um animal indefeso, amanhã outras vítimas.

Outro ponto que precisa ser olhado com atenção é o ambiente em que muitos desses jovens estão sendo formados. Fóruns e comunidades em plataformas como o Discord têm sido usados para incentivar a violência, banalizar o sofrimento e até estimular crimes de ódio, criando uma sensação perigosa de pertencimento em torno da crueldade. Ignorar esse contexto é fechar os olhos para um problema que está crescendo em silêncio. Responsabilizar não é apenas punir, é também estabelecer limites claros, proteger vidas e impedir que tragédias se repitam.

Por isso, é preciso que pais e responsáveis redobrem a atenção sobre os conteúdos que as crianças e os adolescentes estão consumindo online; jogos, plataformas, fóruns, redes sociais, cada um desses meios em que os mais jovens se expõem diariamente podem servir para aprender e vivenciar experiências perigosas que tendem a aproximá-los de consequências sérias no futuro. Nosso dever, como pais, é não só cobrar a estas plataformas e ao poder público por mais segurança e regularização dos meios virtuais, como estar ao lado dos nossos filhos orientando, explicando e demonstrando que nem todos os ambientes virtuais são seguros para eles.

Aqui em Saquarema o cuidado é para todos: vai do bebê ao idoso, e inclui também os animais que vivem aqui. Por esse motivo, durante minha gestão, foi criada a Secretaria Municipal dos Direitos dos Animais, que tem prestado um serviço muito eficiente de cuidado e acolhimento para os bichinhos, e de incentivo para os cuidadores do nosso município.

Infelizmente, não são poucas as ocorrências de maus tratos de animais por aqui, mas a equipe da SMDA está sempre à disposição para encontrar e oferecer atendimento com muita sensibilidade e carinho, além de possibilitar uma nova chance a cada um deles. Inclusive, caso você tenha conhecimento de ocorrências de maus tratos, você pode acionar a equipe da Secretaria diretamente pelas redes sociais ou entrar em contato presencialmente na sede. Podemos fazer a nossa parte para que histórias como a do Orelha não se repitam e não sejam apagadas!

Por Manoela Peres