Acredito que muitas mães e pais que estão lendo este texto agora compartilham, já compartilharam ou ainda vão compartilhar desse sentimento de um dia se deparar com as crianças crescendo e a casa ficando vazia. Um dia, eles estão preenchendo cada cômodo com suas brincadeiras, gargalhadas e com a festa que eles fazem quando a gente chega do trabalho, aquela alegria que nos recarrega depois de um dia cansativo. No outro, o silêncio inevitável pela casa, as chamadas de vídeo e as visitas esporádicas para amenizar as saudades.
Este ano tenho pensado bastante sobre isso. Além de todas as mudanças e novas demandas que estou vivendo, estou me acostumando a não ter minha filha aqui comigo todos os dias, agora que ela está em outra cidade para fazer faculdade. Sem contar, é claro, de já estar me preparando para quando esse momento chegar para o meu filho caçula, que já está chegando na reta final do Ensino Médio.
O que a ciência e a psicologia chamam de a “Síndrome do Ninho Vazio”, nada mais é do que um período de adaptação e transição para uma nova fase da maternidade ou paternidade, na qual os filhos já são seres independentes e não precisam mais da gente da mesma maneira que nos acostumamos por tanto tempo. Por um lado, é muito gratificante vê-los se tornar adultos e seguir seus próprios caminhos. Mas não dá pra negar que esse momento também traz aquele aperto no coração, muitas vezes difícil de processar… Esse pode ser um momento muito delicado, principalmente para as mães, mas também um convite para pensarmos que cada fase da vida demanda adaptação e reinvenção.
A descoberta da independência pelos nossos filhos, nossas eternas crianças, pode ser uma oportunidade para a gente fazer um movimento similar e redescobrir a nossa jornada, explorar nossa identidade para além da maternidade; um momento para retomarmos sonhos antigos ou desenharmos novos, visitarmos lugares que sempre tivemos vontade de ir ou de colocarmos em prática aquelas atividades que antes a gente não tinha tempo para fazer.
As mudanças e os novos movimentos que a vida faz podem sim trazer receio e preocupação… mas uma das coisas mais bonitas da vida é a nossa capacidade de buscar por novos propósitos e significados, colorir ao redor dos espaços vazios. A casa pode até ficar mais silenciosa, mas o coração continua cheio: cheio de orgulho, de saudade e de vontade de seguir crescendo junto com eles. Afinal, o amor pelos nossos filhos não diminui quando eles seguem seus caminhos, só se transforma em novas formas de presença e cuidado.
Por Manoela Peres