O início do ano é um momento que nos inspira a buscar por mudanças nas nossas rotinas durante este novo capítulo das nossas vidas. É durante esta época que ficamos mais motivados a cultivar novos hábitos, passatempos, planejar nossos objetivos e sonhos ou mesmo cuidar melhor de nós mesmos. E é exatamente por este motivo que o primeiro mês do ano foi escolhido para nos lembrar da importância dos cuidados com a saúde mental de uma forma completa: corpo, mente, emoções e do lugar onde vivemos.
Os números ajudam a entender melhor a urgência desse cuidado: o Brasil é hoje um dos países mais ansiosos do mundo e com o maior número de casos de depressão na América Latina, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Durante muito tempo, falar sobre saúde mental foi algo restrito a consultórios, cercado de preconceitos e silêncio. O desafio que me acompanhou na vida pública foi pensar: como levar esse cuidado para o dia a dia das pessoas, para os espaços de convivência e para a cidade que a gente vive?
Quando estive à frente da Prefeitura de Saquarema, meu entendimento era que a saúde não poderia ser apenas sobre tratar um problema depois que ele aparece: é preciso falar de prevenção e qualidade de vida. Foi assim que fortalecemos iniciativas que unem corpo e mente. O Viva Mais Esporte, por exemplo, nunca foi só sobre atividade física. Ele une estar em movimento, fazer amizades, promover encontros e combater a solidão que muitas vezes pesa mais do que qualquer dor física.
O mesmo vale para as Oficinas da Cultura e para os cursos de capacitação. Aprender algo novo, se sentir útil, trocar experiências e fazer parte de um grupo transforma a autoestima e o jeito como a gente se vê no mundo. E o lazer também tem um papel muito importante nisso. Uma cidade que oferece cultura, esporte e lazer também cuida da saúde emocional de quem vive nela.
Olhar para experiências de fora também amplia nosso entendimento. Em São Paulo, por exemplo, o cuidado com a saúde mental foi integrado à rotina da cidade. São mais de cem Centros de Atenção Psicossocial, além de ações dentro das Unidades Básicas de Saúde, rodas de conversa e atividades nos parques públicos. A mensagem por trás disso é simples e muito eficiente: cuidar da mente é tão fundamental como cuidar do corpo, e a convivência também é parte do tratamento.
Mas não é preciso ir longe para se inspirar em bons exemplos: aqui no nosso estado, o município de Macaé também tem feito um trabalho com resultados positivos. Por lá, grupos terapêuticos abertos funcionam no período da noite, oferecendo acolhimento a quem trabalha durante o dia. Não há esperas longas e nem excesso de burocracia: quem chega é ouvido, acolhido e cuidado. É um serviço público funcionando com empatia, acessibilidade e humanidade.
Tudo isso mostra que saúde mental não se constrói apenas dentro da rede de saúde. Ela passa pelo trabalho, pelo esporte, pela cultura, pelo turismo, pela convivência e pela forma como a cidade se organiza para acolher as pessoas. Políticas públicas precisam dialogar entre si para que o cuidado seja real e constante. Neste Janeiro Branco, fica o convite para olhar com mais gentileza para si mesmo. Os serviços públicos têm sim um papel importante, mas o cuidado também nasce das nossas escolhas diárias. Guardar um tempo para nós mesmos, buscar atividades que façam bem, conversar, pedir ajuda. O ano está apenas começando, e ele pode ser escrito com mais leveza, consciência e esperança!
Por Manoela Peres